Vida após a cirurgia bariátrica. Segredo para o sucesso está na obediência

  • Pacientes que passaram pelo procedimento relatam como conseguiram, com a cirurgia, superar a obesidade e mudar a forma de viver

    Perder 70 quilos, deixar o sedentarismo de lado, voltar a ter autoestima e até virar um atleta. Propaganda de dieta milagrosa? Não! Essa é a história de muitas pessoas que conseguiram superar a obesidade e mudar a forma de viver. Elas optaram pela cirurgia bariátrica, procedimento que exige determinação e obediência do paciente.

    Depois de fazer dietas, tomar vários remédios para emagrecer e só conseguir resultados negativos, há um ano, a dona de casa Tathy Bernabé Barbosa, 34 anos, fez a bariátrica. “Eu estava enorme, não conseguia nem colocar o pé no chão de tanta dor que eu sentia. Estava pesando 108 kg e medindo 1.62 de altura. Meu fígado estava com grau dois de gordura”, lembra.

    Após a cirurgia, ela permaneceu firme em todas as recomendações médicas. Momento difícil. Nos primeiros meses, ela tomava um copo de 40 ml de suco, depois comia caldo de verdura cozida sem sal. Tudo em pequenas porções, ingeridas de uma em uma hora.

    “Comia o arroz sem sal e sem óleo. Passei por um período de adaptação para a reeducação alimentar. Se a pessoa não ler bastante sobre o que vai passar após a cirurgia, achando que é um passe de mágica, ela se assusta. Eu coloquei na minha cabeça que passaria por isso”, diz.

    Determinada, Tathy fez as pazes com a balança. Um ano após a cirurgia, e com 39 quilos a menos, hoje ela comemora os 69 kg que pesa. Tá bom assim? Não. Ela quer mais! Agora, para manter a saúde alinhada, ela está malhando para perder medidas. E até já pensa em uma cirurgia plástica, quer colocar silicone nos seios.

    “Minha autoestima está lá em cima. Consigo usar calça jeans! Mas preciso fazer suplementação porque tenho deficiência de algumas vitaminas. Também não é um mar de rosas”, conta.

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    Tathy antes da cirurgia e em uma foto recente, quando fez um ensaio fotográfico

    Riscos

    Optar pela bariátrica não é uma decisão adotada apenas para repaginar o visual. Muitos pacientes a procuram para tratar também as doenças causadas pelo excesso de peso. E por conta destes problemas que já o acompanham, o pós-operatório do paciente deve ser feito a risca.

    Segundo o cirurgião geral João Alípio, especialista em cirurgia bariátrica, o paciente precisa ficar 15 dias sem comer nada sólido. Pois a cirurgia faz com que o estômago fique inchado.

    R$ 20 Mil – Esse é o valor de uma cirurgia bariátrica no ES

    “O grande perigo está nessa fase. Se o paciente transgride e não suporta o líquido e come algum alimento sólido, ele pode romper o estômago”, afirma o cirurgião.

    O médico, que já fez 3.6 mil cirurgias bariátricas no Estado, conta que nenhum de seus pacientes faleceu na mesa de cirurgia. “A pessoa corre o risco de morrer do quarto ao nono dia após a cirurgia. Se ela comer algo sólido o estômago rompe. Há uns 15 dias, uma paciente ligou dizendo que no oitavo dia após a cirurgia ela comeu um pastel assado de frango”, conta.

    A sorte da paciente, de acordo com o cirurgião, foi que o estômago dela não rompeu. Quando isso acontece, o conteúdo do estômago e do intestino, que são ricos em bactérias, vão cair na cavidade peritoneal. Essas bactérias serão absorvidas pela corrente sanguínea e o paciente contrai um quadro de infecção generalizada. Nesses casos, o médico precisa costurar o estômago e tratar a infecção.

    “Os obesos, ninguém sabe por que, tem um sistema imunológico muito ruim. Ele não responde bem a infecção, o que torna tudo mais complicado. Por isso, a consciência e o conhecimento de quem decide fazer a cirurgia faz diferença no pós-operatório”, destaca.

    Problemas no pós-operatório

    Ao contrário da dona de casa, a pedagoga Andreia Turra, 37 anos, não possui tantas recordações positivas, apesar de ter emagrecido. Ela passou por problemas de saúde, mas admite que também não seguiu as recomendações no pós-cirúrgico.

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    Andréia Turra com 70 kg a menos

    “Fui uma paciente muito relapsa. Eu tive um médico que também não era muito presente. Ele era excelente na época da cirurgia, mas no pós-cirúrgico não. Eu não fiz a ingestão de vitaminas. Comecei a desencadear uma anemia muito forte, perto de uma leucemia. Eu tive que fazer reposição de ferro, ficava no hospital três vezes por semana, tomando a medicação na veia. Cheguei até a perder dente”.
    Andreia operou há nove anos quando pesava 141 kg. Ela já tinha feito dietas e até ido para spas, mas nada adiantava. Como queria engravidar, ela fez a bariátrica para perder peso. Andreia conseguiu atingir o objetivo, perdendo 70 kg. Entretanto, este emagrecimento custou caro para ela, principalmente para sua saúde.

    “Fui buscar o meu médico e descobri que eu tinha uma estenose, um fechamento na passagem do esôfago para o estômago. Precisei fazer vários tipos de dilatações, para ver se eu conseguia segurar algum alimento ou líquido no meu estômago. Até que consegui”.

    Dois anos após a operação, ela engordou 15 kg. “Eu precisei buscar ajuda de um nutricionista e fiz uma reeducação alimentar. Se você não faz um tratamento psicológico, você pira. Eu me olho no espelho e a imagem tantos anos depois ainda é de uma pessoa obesa”.

    Mas mesmo diante de tantas complicações ela é enfática ao dizer que faria tudo novamente, porque a alegria de ter perdido peso é superior ao sofrimento que passou. “Só sente isso quem é ou foi obeso. É uma troca que você faz e o preço pago é muito alto”.

    foto: Carlos Alberto Silva – GZ

    João Alípio (foto) já realizou 3.6 mil cirurgias

    Dados sobre a cirurgia

    De acordo com o cirurgião João Alípio, uma cirurgia bariátrica dura, em média, uma hora. As cirurgias são feitas por videolaparoscopia, com um mini corte na barriga, de meio a um centímetro de comprimento. Na clínica dele, 70% dos clientes são mulheres e 30% homens.

    Existem diferentes tipos dessa cirurgia, mas a mais utilizada no Brasil é a Bypass, onde o estômago é diminuído para um quinto da capacidade. “Essa região que fica do estômago é onde estão os receptores de pressão. Quando essa porção do estômago dilata (está cheia de alimentos sólidos), os receptores mandam uma notícia para o nosso centro de recompensa (localizado no cérebro) que é onde está o nosso prazer sexual, a satisfação, estimulando a saciedade”, explica o médico.

    Depois de um mês de operada, a pessoa consegue tomar líquidos à vontade. A cirurgia coloca uma espécie de alça no intestino que o liga até o estômago.

    “Essa alça não tem enzima digestiva, quando o paciente come doce, por exemplo, ele passa mal. Esse é um efeito imposto pela cirurgia para que o paciente não coma mais doce. Do contrário, ele vai tomar champanhe, milk shake e não vai perder peso”.

    Planos e SUS

    Os planos de saúde costumam cobrir a cirurgia bariátrica. No Espírito Santo, a cirurgia bariátrica é realizada pelo SUS nos hospitais Evangélico de Vila Velha e de Cachoeiro de Itapemirim, e no Hospital das Clínicas (Hucam), em Vitória. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em 2011, foram realizadas na rede pública 261 cirurgias bariátricas. De janeiro a março de 2012, foram 62 procedimentos.

    De sedentário a atleta

    O jornalista Julius Carvalho conta, em vídeo, como sua vida mudou após a cirurgia há quatro anos

    Por, LAILA MAGESK

    Fonte:  http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/07/vida_saudavel/noticias/1312600-vida-apos-a-cirurgia-bariatrica-segredo-para-o-sucesso-esta-na-obediencia.html

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